YOGA: A Graça e o Guru

(trechos do livro “Pérolas de Sabedoria” e “Maharshi’s Gospel”)

O Guru não precisa estar sempre em uma forma humana. Primeiramente, a pessoa pensa ser inferior e que existe um Deus superior, onisciente e onipotente, que controla seu próprio destino e o do mundo, e adora-O ou presta-Lhe devoção (bhakti). Quando ela chega a certo estágio e está pronta para a iluminação, o mesmo Deus vem como Guru e a guia daí para frente. Tal Guru vem apenas para lhe dizer que “Aquele Deus está dentro de você. Mergulhe em si e perceba-O”. Deus, o Guru e o Eu Real são a mesma coisa.

A Realização resulta mais da graça do Mestre ou Guru do que de ensinamentos, palestras, meditações etc. Essas são apenas ajudas secundárias, enquanto que aquela é a causa primeira e essencial.

A graça do Guru está sempre disponível. Você a imagina como algo em algum lugar lá em cima no céu, distante, e que tem que descer. Na verdade, ela já está dentro de você, no seu Coração; e no momento em que você se acalma ou funde a sua mente na Fonte, por qualquer método, a graça surge, jorrando como uma nascente de dentro de você.

O contato com os Sábios (Jnanis) é bom. Eles irão trabalhar através do silêncio. Um Guru não é a forma física. Por isso, seu contato permanece mesmo após a forma física do Guru desaparecer.

Quando sua devoção a Deus amadurecer, Ele vem na forma de um Guru e de fora empurra sua mente para dentro, enquanto ao mesmo tempo puxa sua mente do lado de dentro, como Eu Real. Em geral, tal Guru é necessário, a não ser no caso de almas raras e avançadas.

A pessoa pode procurar outro Guru depois que seu Guru se for. Mas, no final das contas, os Gurus são um só, já que nenhum deles é a forma. O contato mental é sempre o melhor.

Satsang significa associação com a Realidade (Sat). Aquele que compreendeu ou realizou Sat, também é considerado Sat. Essa associação é absolutamente necessária para todos. Shankara disse: “Em todos os três mundos não existe melhor barco do que satsang para cruzar com segurança o oceano dos nascimentos e mortes”.

Como o Guru não é físico, o contato com Ele continuará depois que sua forma desaparecer.

Se existe um Iluminado (Jnani) no mundo, sua influência é sentida por todos e beneficia a todos, e não simplesmente a seus discípulos imediatos. Como descrito no Viveka Chudamani [Editora Teosófica, 1992], as pessoas no mundo podem ser classificadas em quatro categorias: os discípulos do Guru, os devotos [do Guru], os que lhe são indiferentes e os que lhe são hostis. Todos são beneficiados pela existência do Jnani – cada qual a seu modo e em diferentes níveis.

Bhagavan leu alguns trechos do livro de Paul Brunton, “A Graça Divina através da autoentrega total” [Divine Grace Through Total Self-Surrender], para nosso proveito:

“A Graça Divina é uma manifestação do livre arbítrio cósmico em atividade. Ela pode alterar o curso dos acontecimentos de uma maneira misteriosa, através de suas próprias leis desconhecidas. Ela é superior a todas as leis naturais e pode modificá-las, interagindo com elas. É a força mais poderosa no universo.

“Ela desce e age só quando invocada pela total autoentrega. Ela age de dentro porque Deus reside no Coração de todos os seres. Seus sussurros só podem ser ouvidos por uma mente purificada pela autoentrega e pela oração.

“Os racionalistas riem disso e os ateus debocham, mas ela existe. É uma descida de Deus na zona de consciência da alma. Trata-se de uma visita de forças inesperadas e imprevisíveis, uma voz que fala a partir do silêncio do cosmo. É “a Vontade Cósmica que pode desempenhar autênticos milagres de acordo com suas próprias leis”.”

Na verdade, Deus e o Guru não são diferentes. Assim como a presa na mandíbula de um tigre não tem escapatória, também aqueles que caem no campo do olhar gracioso do Guru serão salvos e não se perderão. Contudo, cada um deve seguir, pelo seu próprio esforço, o caminho indicado por Deus ou pelo Guru e libertar-se.

A todo aquele que busca Deus deve ser permitido seguir seu próprio caminho, caminho este que pode servir só para ele [ou que só para ele tenha significado]. Não vai adiantar convertê-lo a outro caminho à força. O Guru acompanhará o discípulo em seu próprio caminho; então, gradualmente o guiará ao caminho Supremo na medida em que ele amadurece. Imagine um carro andando na velocidade máxima: pará-lo repentinamente ou mudar sua direção provocaria consequências desastrosas.

[Em resposta à pergunta de um devoto “ Como posso obter a Graça?”, Bhagavan disse:]

A Graça é o Ser Real. Ela não é uma coisa a ser adquirida. Você só precisa saber que ela existe. O sol é pura claridade. Ele não vê a escuridão. Ainda assim, você fala da escuridão indo embora quando o sol nasce. O mesmo acontece com a ignorância do devoto, que, como o fantasma da escuridão, desaparece ao olhar do Guru.

Você está envolto pela luz do sol; mas para vê-lo você deve se voltar em sua direção e olhar para ele. Assim também a Graça é encontrada pela abordagem apropriada que você faz, embora ela esteja aqui e agora.

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